Coisa Cinema – Rio
Invariavelmente, os filmes brasileiros que tem repercussão internacional são carregados de palavrões e mostram a vida na favela. Quando o filme fala sobre o Brasil, mas é gringo, o cenário piora ainda mais, como é o caso de Turistas e até aquele episódio dos Simpsons. Aí eu fico me perguntando: O mundo vê o Brasil desse jeito mesmo?
Eu tenho minhas dúvidas. E é por isso que fiquei feliz quando soube que o talento de Carlos Saldanha, conhecido lá fora pela direção da trilogia A Era do Gelo, ia ser usado para desesteriotipar o nosso país. Ou pelo menos eu tinha pensado que seria pra isso.
Rio conta a história de Blu, uma arara azul que leva uma vida pacata, regada a chocolate quente e marshmellow, em uma cidadezinha de Minnesota, nos Estados Unidos, com sua dona Linda. Pelo menos até Túlio aparecer. O cara é um brasileiro, especialista em aves, que vai até lá dizer que Blu é o último macho de sua espécie e convecê-los a irem até o Rio de Janeiro, onde está a última fêmea.
Quando desembarcam em terras cariocas, Blu conhece Jadi, uma ararinha linda e independente, que não quer nem saber dele. Logo nos primeiros momentos juntos, os azulinos são seqüestrados por contrabandistas de animais e, adivinha, levados até uma favela.
Depois daí é default. Os dois precisam sair dessa, fazem amigos, se metem em mais encrencas, saem delas, se divertem, se aventuram, brigam, fazem as pazes, etc. Até uns musicais a la clássicos da Disney o filme tem. Rio também traz uma história comovente e com certeza foi uma das animações mais engraçadas que já vi. Mas apesar de não ser nenhum pouco patriota, achei desnecessário zoarem com o carnaval (e que fique bem claro que eu odeio o carnaval).
Afinal, é a única coisa que funciona nesse país. É só a gente lembrar do que aconteceu nesse ano. Milhares de famílias desabrigadas, com suas casas e suas vidas arruinadas, por causa dos desabamentos no Rio Janeiro, deixaram de ser prioridade perante o incêndio na cidade do samba. Quer maior prova do que essa? E aí vão lá e ferram com a única – a ú-ni-ca – coisa que não se há jeito de ferrar no Brasil.
Enfim, é esse Brasil de contrabandistas, favelas e esse jeitinho brasileiro que me dá nos nervos que foi a melhor estréia do ano nos Estados Unidos, Canadá, México, Alemanha e Espanha. É esse Brasil que está prestes a se tornar o primeiro blockbuster de 2011. E foi esse filme que acabou com as minhas esperanças de ver um filme gringo sobre um Brasil bacana. Se um brasileiro fez questão de mostrar nosso país assim nas telonas, quem vai deixar de fazer isso?
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25/04/2011
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